Governo do Chile estuda tarifa menor para idosos no transporte público


Na maior crise social desde o fim da ditadura no país, o governo do Chile se depara agora em resolver uma série de demandas da população mais afetada pela queda de poder aquisitivo. A situação dos idosos, penalizados por um sistema previdenciário que rebaixou a qualidade de vida de grandes parcelas da população, é um dos temas em debate no país.

Reduzir as tarifas do transporte público, como deputados e senadores alertam ser medida necessária para os setores mais vulneráveis, é um dos temas que o governo do presidente Sebastian Piñera estuda atualmente.

O subsecretário de Transportes, José Luis Domínguez, reconheceu que a demanda muito sentida é a dos idosos que, segundo ele, deve ser avaliada e priorizada.

Você precisa ver até onde os recursos alcançam”, alertou Domínguez. Ele lembra que todo cidadão idoso recebe uma viagem gratuita por semana em todo o Chile, o que custa aos cofres públicos cerca de 200 milhões de dólares, ou algo em torno de R$ 800 milhões de reais.

A ideia, no entanto, está sendo estudada e o governo chileno já realizou várias análises que serão entregues ao Congresso na discussão do Orçamento 2020, informa o portal chileno Cooperativa.

Um estudo realizado em 2016 pela Secretaria Técnica do Ministério dos Transportes do país apontou que subsidiar parte da tarifa de idosos com mais de 60 anos de idade ao longo do dia implicaria um custo total de 153 bilhões de pesos para o tesouro (algo como R$ 880 milhões). Esse cálculo se baseia em um subsídio de 66% do custo do bilhete de transporte, com o qual o usuário pagaria 210 pesos (R$ 1,13). Hoje, os idosos com cartão preferencial pagam 230 pesos no metrô, cerca de R$ 1,23.

Alguns especialistas propõem fixar um subsídio direcionado para grupos específicos de idosos, como uma recarga mensal para aqueles que precisam ir a hospitais ou consultórios da rede pública.

Já Guillermo Muñoz, ex-diretor de transporte público metropolitano e consultor da Fundação Chile 21, propõe conceder descontos especialmente aos chilenos com renda mensal inferior a 403 mil pesos por família (cerca de R$ 2.150), além de um desconto a passageiros frequentes.

O envelhecimento da população é um grande desafio para o sistema de transporte público, situação que hoje pressiona o orçamento de muitas cidades brasileiras. Como parte das gratuidades concedidas pelo sistema de transporte coletivo, a isenção ou desconto no pagamento das tarifas pressiona atualmente o custo operacional das empresas que atuam no setor, e desafiam as prefeituras a estabelecer políticas sustentáveis nos processos de concessão dos serviços, sem na outra ponta elevar o custo final das tarifas a um limite insuportável para os mais pobres.

No caso brasileiro, as gratuidades e os descontos tarifários atingiram o nível médio de 26,4% dos usuários nas grandes cidades. Caso eles fossem financiados por fontes externas, a tarifa poderia ser reduzida em média 21,1%.

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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