E quem socorre o transporte público na crise do coronavírus?


Já há quem diga que a pandemia do coronavírus é o momento mais difícil para a humanidade desde a 2º Guerra Mundial. A situação é, de fato, assustadora para todos, exigindo uma capacidade de gestão e decisões públicas descomunais, atreladas à mobilização social. A economia já está parada e vai sofrer ainda mais. As previsões são as piores possíveis. Uma pandemia que deverá ter seu pico a partir de abril. Já são muitos os setores e segmentos implorando por ajuda, o transporte público entre eles. Até aí tudo bem. Mas, o que mais uma vez impressiona é a pouca importância dada ao setor, responsável por 86% das viagens realizadas em modos de transportes coletivos urbanos em todo o País. Não só pelo poder público – em suas mais diferentes esferas –, mas também pela sociedade, que parece ainda não enxergar o papel que o serviço considerado essencial exerce para as cidades e seus moradores.

Na primeira entrevista coletiva concedida pelo governo federal, tendo o presidente Jair Bolsonaro ao lado de todos os ministros, foram anunciadas medidas para socorrer as companhias aéreas, um serviço que não é considerado essencial para a população como é o transporte público urbano. E a sociedade não reage a isso. Embora a grande maioria dos brasileiros nunca tenha viajado de avião. Mas, com certeza, já tenha utilizado o ônibus ou o metrô

Coluna Mobilidade

Embora a queda da demanda de passageiros no transporte público do Grande Recife já tenha alcançado os 45% em uma semana de susto com a pandemia e, segundo estimativas da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), alcance os 50% no País, até agora não se viu uma ação focada para ajudar o setor. As notícias da última semana são de redução de frota e até de suspensão total de serviços, como o transporte das cidades do ABC paulista, ou parcial, como o BRT do Rio de Janeiro. Nada, absolutamente nada foi anunciado por enquanto para minimizar o impacto financeiro no setor, que já sofre com uma quase histórica perda de passagem – foram 12,5 milhões de passageiros perdidos entre abril de 2018 e abril de 2019.

Ao contrário, na primeira entrevista coletiva concedida pelo governo federal, tendo o presidente Jair Bolsonaro ao lado de todos os ministros, foram anunciadas medidas para socorrer as companhias aéreas, um serviço que não é considerado essencial para a população como é o transporte público urbano. E a sociedade não reage a isso. Embora a grande maioria dos brasileiros nunca tenha viajado de avião. Mas, com certeza, já tenha utilizado o ônibus ou o metrô.

Por Roberta Soares – Jornal do Comércio

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *